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25 julho, 2013

SOBRE SER LÉSBICA E NEGRA

Por Maria Rita Casagrande para o Blogueiras Negras
Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica. Qualquer ataque contra pessoas Negras é uma questão lésbica e gay, porque eu e milhares de outras mulheres Negras somos parte da comunidade lésbica. Qualquer ataque contra lésbicas e gays é uma questão sobre direitos dos negros, porque milhares de lésbicas são Negras e milhares de homens gays são Negros. Não existe uma hierarquia de opressão.
Audre Lorde, There is No Hierarchy of Oppression
Dia desses me fizeram uma pergunta: O que você é primeiro? Lésbica ou Negra?
Como se fosse realmente necessário escolher um “lado” para lutar por meus direitos ou me identificar, ou como se eu não fosse invisível em ambos os casos.
Mas se você me pergunta com qual comunidade eu me identifico, minha resposta seria a reprodução das palavras de Audre Lorde “Dentro da comunidade lésbica eu sou Negra, e dentro da comunidade Negra eu sou lésbica.”
O único ponto que me incomoda é termos uma comunidade lésbica que luta contra a invisibilidade mas consegue invisibilizar as lésbicas negras com tamanha força. Na minha singela opinião é algo que não aceito pelo simples fato de não entender como alguém pode lutar por qualquer direito tirando o direito de outros?
Especificamente entre lésbicas que é nosso assunto aqui percebo uma falta visibilidade, reconhecimento, material informativo, sobre lésbicas negras.
Quantas vezes você que me lê agora entrou em um site ou uma fã page para curtir a imagem de uma lésbica negra? Quantas lésbicas negras você conhece? Quantas personagens lésbicas negras lhe foram apresentadas na sua série preferida (Bette Potter- the L word- embora afrodescendente não representa a realidade das mulheres negras, talvez sua irmã Kit que não era lésbica).
Hoje 25 de julho é o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, data criada 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. Estipulou-se que este dia seria o marco internacional da luta e da resistência da mulher negra. Desde então, sociedade civil e governo têm atuado para consolidar e dar visibilidade a esta data, tendo em conta a condição de opressão de gênero e racial/étnica em que vivem estas mulheres, explícita em muitas situações cotidianas.
Em 2010 me entendi como lésbica, e minha primeira atitude com relação a este meu entendimento foi me informar a respeito de um mundo que até aquele momento não era o meu. Busquei livros, informações na internet, pessoas, referências, imagens e em nada que eu encontrei me permitiu algum tipo de identificação. Eu não sou a lésbica novinha vestida de Shane, não sou a moça vegetariana que anda com os cabelos esvoaçantes na bicicleta e nem aquele casal simpático com o cabelo de uma trançado no da outra mostrando uma união infinita. Ficou na época e existe até hoje uma inquietude sobre porque tantos estereótipos em meio a uma comunidade já tão estereotipada?
Encontrei no meio das mulheres lésbicas os mesmos clichês de uma comunidade que vê a mulher negra como um objeto, um bundão e um peitão para sexo 24 horas por dia, encontrei meninas com “nojo” de mulheres negras, encontrei piadas sobre “cabelos duros”.
Você que me lê agora é assim também? A cor da nossa pele te incomoda? Se apaixonar por uma mulher negra está fora dos seus “padrões”? Qual é o seu estereótipo de mulher negra? Você já experimentou digitar no Google “lésbicas famosa” e comparar com o que acontece quando você digita ” Lésbicas Negras famosas”, faça este teste. Muitas vezes preferimos varrer nossos preconceitos para debaixo do tapete quando na verdade deveríamos tirá-los do cantinho seguro e vencê-lo.
Hoje, um dia tão importante para mulheres negras eu proponho a todas as mulheres negras que leem o blog, que se apresentem, se assumam não apenas lésbicas mas negras e deixo um convite para que possamos debater esta questão aqui site. Deixo a pergunta “O que é ser lésbica e negra? Quais nossos maiores desafios?”
Eu tenho orgulho da mulher que eu sou, negra, lésbica e apesar dos inúmeros desafios e de todo o preconceito  e nada vai me fazer abrir mão dos espaços que eu conquistei, das pessoas que eu cativei e do direito a ter direitos e por eles lutar como tantas outras mulheres negras.

Uma forcinha para o Google

E só para ajudar na questão do Google, algumas lésbicas ( e Bissexuais)  negras famosas e lindas e que venham novas referencias sempre ♥

Wanda Sykes 

Wanda Sykes é uma atriz e comediante stand-up estadunidense. É conhecida por suas observações cômicas afiadas sobre eventos atuais, sobre as diferenças entre os sexos e as raças, e a condição humana.

Tracy Chapman

Tracy Chapman é uma cantora de folk, blues e soul norte-americana, vencedora por diversas vezes do Grammy Awards, tornada mundialmente famosa por suas canções “Fast Car”, “Baby Can I Hold You” e “Give Me One Reason”.
Não sabia que ela cantava Baby Can I Hold You né… calcinhas caindo em 3, 2, 1 

Pepê e Neném

Pepê e Neném, gêmeas e que fizeram sucesso no cenário musical no fim dos anos 1990, se assumiram homossexuais em uma entrevista no programa De Frente com Gabi no ano passado.

Preta Gil

Preta Maria Gadelha Gil Moreira, é uma cantora, atriz e apresentadora, madrinha, rainha, hors concours nas Paradas Gay. Bissexual assumida tem entre suas musicas declarações como “Menina e menino, pego em estéreo” (para noooossa alegria)

Queen Latifah

Queen Latifah é uma cantora, rapper ,atriz norte-americana, vencedora de um prêmio Grammy e de um Globo de Ouro. Também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Chicago pelo papel de Mama Morton. Queen Latifah é rosto da Cover Girls para uma parceria no desenvolvimento de maquiagem específica para a pele negra. Negra, linda, gorda, lésbica e bem resolvida, como não amar?

16 junho, 2013

Como Começa


Eu escrevi por anos um blog, nele eu me libertava, me descobria, me distraia.  Através do blog eu fiz amigos, conheci amores, mas da noite para o dia parei de escrever pra mim, e passei a escrever para os outros. E o sentido de blog se perdeu. O que antes era um diário virtual , algo particular, anonimo, nem sempre fofo, passou a ser uma pilha das mentiras que eu contava pra mim até que eu acreditasse.  Todo meu esforço era pra agradar, sabe aquilo de "parecer legal". Eu fui legal com todo mundo menos comigo. Me perdi de mim, dos meus sonhos, tomei atitudes levando em conta o que seria interessante para os outros mas não pra mim.
Bom,  estou a exatos 7 anos sem escrever nada que fosse meu. Criei outros blogs, recebi convites para escrever em outros sites, vivi coisas boas e ruins, mas a vontade de manter um blog de novo, um "diário", veio da necessidade de falar e da percepção de que nem todo mundo está disposto a ouvir. E se o faz normalmente vai esquecer. Que os outros esqueçam tudo bem, mas eu não quero esquecer.
Eu não leio mais meu blog antigo e já nem sei se ele existe mais. Não o leio porque não reconheço mais a pessoa que escreveu por anos. Foi uma parte da minha vida, o passado, que está no seu devido lugar.
Independente de blogs e da internet, eu venho me procurando pela vida. Trinta e dois anos atras daquilo que me faria feliz. Com o tempo descobri que não me encaixo no padrão convencional de felicidades, mas coleciono em lista as pequenas e particulares coisinhas que me deixam plena. Sons, cheiros, pessoas, sabores, pequenezas  da vida que a meu ver fazem com que ela valha a pena. O meu tipo de felicidade não é igual ao seu,  eu ainda  não tenho certeza sobre todas as coisas que me fazem feliz, ou se existe alguma coisa realmente grande como um casamento, uma carreira, uma mudança que possa ser um sonho, uma meta de felicidade. Como eu disse antes, eu me perdi de mim e espero me encontrar aqui.
Além do diário vou usar este espaço para reunir o que eu escrevo por ai. Acho que vai ser uma experiência boa.