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29 junho, 2013

Da Vontade de Viver

A vontade de voltar para o blog veio de um aperto no peito no dia em que tive que ler , junto com a minha mãe , o documento que dizia que meu pai ( que tem mieloma múltiplo) teria de 5 a 8 anos de expectativa de vida. Ela fez as contas, ele estava no 6º ano da doença, e por mais estranho, conturbado e tenso que seja o relacionamento dos dois, os seus olhos se encheram de lagrimas, dava pra cortar a dor com faca naquele minuto, e ali ela morreu um pouquinho. Dali me vei a vontade de registrar a vida de novo, porque não sabia o quanto tudo ia durar e não queria que nada escapasse da memória.

Desde que eu vim morar com ela nosso relacionamento é péssimo. Nunca foi dos melhores, não nos entendemos, a menos que estejamos distantes. É uma pena. Era pra ser diferente. Conforme os anos vão passando eu vou me enganando a cada vez que alguém me faz uma proposta que parece vir do coração. Eu acho que quando as pessoas fazem a proposta até é de coração, mas depois , quando pesa, quando exige, as coisas mudam um pouquinho de figura, vem a cobrança, vem o cansaço e a minha amiga pra toda hora, a dor.

Faz quase 6 meses que decidi viver o que fosse possível viver, me desapegar do comentário alheio e ser feliz nem que fosse na marra. Não há nada mais difícil, maldita hora que está ideia virou fixa. Mas vamos que vamos.

Hoje o pequeno não tão pequeno dançou lindamente, orgulhoso, feliz. O tchau de cima do palco valeu cada um destes 7 anos de amor. Ainda é a sensação do coração batendo fora do peito. Tomara que ele saiba e perceba o quanto é amado.

Entrei num novo ciclo da minha vida na ultima segunda feira, não sei pra onde este caminho vai me levar, mas espero que seja pra longe. Jundiaí, São Carlos, Florianópolis...Que nessa caminhada nada me permita ficar inerte. Hoje quem critica minha intensidade , um dia amou exatamente isto,  e no que eu fui me domar perdi o encanto. Eu quero me permitir resgatar esta luzinha que um dia brilhou em mim, em nós. Fico passando na mente o que vai ser de um reencontro depois de alguns necessários anos...

Como faz com essa minha vontade de mar, como faz com essa vontade de um abraço onde eu sei que é meu lugar?

Agora começa toda uma fase de clichês, lugares comuns. Mas isto sou eu e estou bem comigo, pelo menos por hoje.

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